O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, diante da Resolução nº 357, de 17 de março de 2005, alterada parcialmente pela Resolução 410/2009 e 430/2011, estabeleceu critérios sobre a classificação dos corpos de água superficiais e diretrizes ambientais para seu enquadramento, bem como as condições e padrões de lançamento de efluentes.

Em Goiás, na bacia do rio Meia Ponte, por não haver ainda um plano de bacia, o rio em toda sua extensão é classificado como um rio de classe 2, apesar da drástica mudança na qualidade das águas do rio em sua passagem por Goiânia e região metropolitana. Um dos objetivos do grupo Guardiões é que o rio Meia Ponte possa ser de fato, em toda sua extensão, um rio de classe 2.

Mas para você entender o que seria um rio de classe 2, vamos entender como as águas doces são classificadas no Brasil. A classificação reúne uma série de definições com base na aptidão natural dos cursos d’água, observando a sua qualidade, capacidade, entre outras características específicas.

Elas são assim classificadas:

I – Classe especial: águas destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e,
c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral.

Geralmente águas da classe especial são encontradas em aquíferos ou poços artesianos.

II – Classe 1: Águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película;
e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas.

Geralmente são encontradas em nascentes e poços como as cisternas.

III – Classe 2: Águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme
Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer,com os quais o público possa vir a ter contato direto;
e) à aquicultura e à atividade de pesca.

A maior parte dos rios brasileiros são classificados como classe 2.

IV – Classe 3: águas que podem ser destinadas:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado;
b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
c) à pesca amadora;
d) à recreação de contato secundário(refere-se àquela associada a atividades em que o contato com a água é esporádico ou acidental e a possibilidade de ingerir água é pequena), atividades como pesca, iatismo, etc; e
e) à dessedentação de animais.

Grande parte dos rios que cortam as cidades brasileiras são classificados, pelo menos no trecho urbano, como rios de classe 3.

V – Classe 4: águas que podem ser destinadas:

a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística

As águas de alguns rios e lagos se tornam tão poluídas que é impossível utilizar-se destas águas mesmo após tratamento avançado. Parâmetros como metais pesados apresentam-se em números elevados e mesmo um tratamento mais especifico muitas vezes não é capaz de remover esse tipo de substância tóxica.

o Rio Meia Ponte na região metropolitana de Goiânia chega até a estação de tratamento de água como um rio de classe 2, o que permite a captação e tratamento da água para distribuição à população. Após alguns quilômetros o rio recebe a contribuição de alguns mananciais poluídos da capital, efluentes industriais, efluentes da ETE Hélio Seixo de Brito e esgoto in natura de vários pontos de lançamento clandestino e oficiais. A partir dai o rio Meia Ponte se torna um rio de classe 4. Passa todo o seu percurso em Goiânia e cidades da região metropolitana nessa situação e segue dessa maneira por vários quilômetros, voltando ser um rio classe 2 somente após o distrito de Rochedo, segundo dados de análise da qualidade da água fornecido pela Semad.

Um dos principais motivos da escolha de Goiânia como capital do estado de Goiás foi justamente a sua rica hidrografia, representada pelo seu principal rio, o Meia Ponte É importante mudarmos essa realidade, não permitindo que o rio agonize por mais longos 50 anos.

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